Domingo, 12 de Julho de 2009

Quem é verdadeiramente importante?



Estava no subsolo universal, a estrela! Nada fazia supor a rispidez com que mudaria o rumo de seu percurso. De seu tamanho pequeno, de tímido brilho resplandecente, mas de ambição desmesurada, a estrela havia delineado a estratégia que a levaria aos píncaros com que sonhava.

O subsolo universal em que habitava fazia parte da estratégia. Aí era a redoma que idealizava para cumprir o seu desígnio.

A função da sua redoma era mantê-la protegida para que seu percurso não fosse alvo de assaltos que a impedissem de chegar onde pretendia. Havia um pormenor: a redoma não era completamente isolada!

Certo dia surge um pirilampo que se instala junto ao habitat da estrela.

A estrela observa-o indagando sobre a razão da sua existência, mas continua sem grande alarido na sua vida a cumprir o que lhe competia.

O pirilampo brilhava, é certo, mas era só um pirilampo. Não era uma estrela! Não havia o que temer! ... era só um pirilampozito, mas brilhava muito: parecia uma estrela! Que mal havia em co-habitarem, uma pequena estrela e um pirilampo?!

A estrela continuava o seu dia-a-dia, mas não menos intrigada com a presença do pirilampo.

Ironia engraçada, a estrela que se julgava pirilampo mas ambicionava não sê-lo, percebeu que aquele pirilampo que se julgava estrela, não era mais do que o espelho que ela precisava para ver que afinal a estrela era ela. Foi essa a função do pririlampo ao invadir o habitat da estrela para que ela se visse e pudesse finalmente sair da redoma e cumprir o seu desígnio: iluminar o céu!

Foi o pirilampo que permitiu a brusca mudança de rumo, a necessária mudança de paradigma. Afinal o pirilampo sempre cumpriu o seu papel de estrela ao impelir a estrela a admitir para si própria que o é.

É importante não desvalorizar o papel de cada um.

--- Mendonça ---

O julgamento incita à separação.



Quando compreende alguém,
quando compreende mesmo alguém, seja quem for,
é impossível não gostar dessa pessoa, apesar de nem
sempre gostar daquilo que ela faz.

A mesma verdade aplica-se no caso de todas
as pessoas por quem sente menos do que amor,
sejam elas quem forem - é porque não as percebe
verdadeiramente.

(não, também não tem de gostar do que fazem, nem é
"suposto" ficar com elas. É você que decide essas coisas.)

in Mensagens do Universo de Mike Dooley.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

E se de repente o fluxo ocorresse só de dentro para fora?!



O que é que faz com que algumas pessoas se tornem geniais em algo? O que terão em comum, cada melhor entre os melhores?
Há quem lhes aponte um Dom com que nasceram, há quem diga que é a Sorte aliada a muita dedicação, muito trabalho, muito esforço, muita perseverança. Certo é que haverá milhões de pessoas por esse mundo fora que têm muito jeito para algo, são muito dedicadas, perseverantes, trabalham arduamente nesse algo e não são geniais. Desta feita, creio que o segredo da genialidade está relacionado com o Dom.

Falar de Dom remete-nos, consideráveis vezes, para questões filosóficas ou mesmo religiosas. Dom é algo a que uma definição simplista é desadequadamente redutora da Sua grandiosidade.

Na minha interpretação, Dom não é mais do que o ajuste continuado e ininterrupto das acções à essência da pessoa.


Nós, seres humanos, somos seres relacionais, como tal a nossa tendência imediata é reagir a acções externas. E como óbvio, há acções externas que vez por outra nos afastam daquilo que somos. (Sim, é certo que há quem defenda que nós somos exactamente tudo o que fazemos. O que não deixa de ter algum sentido!) (Mas...) Dito de outro modo, cada pessoa sabe no mais íntimo de si o que É. Assim, no referencial próprio da pessoa (e só neste faz sentido considerar, pois se assim não fosse haveria uma infinidade de diferentes visões... tantas quantas o número de seres humanos existentes. Isto, partindo do princípio que somos os únicos seres com uma inteligência mordaz o suficiente para dissertar sobre estas questões.), no referencial próprio da pessoa, dizia, cada uma sabe que tem, por vezes, acções que se afastam, umas vezes mais, outras menos, daquilo que considera Ser.


Nesta perspectiva, para o comum dos mortais há frequentemente acções que o afastam da sua essência, que o afastam do estado de Dom!

Em teoria, fomos todos presenteados à nascença com o Dom! A questão que surge agora é: como permitir que o Dom se manifeste? Em teoria, mais uma vez, é extremamente simples: basta pôr em prática a "teoria do fluxo de sentido único".

A "teoria do fluxo de sentido único" encerra a ideia de sempre agir em vez de reagir. Isto significa que toda e qualquer acção deve ter como fonte o que de mais profundo habita em cada um, em vez de levar em consideração o que é realçado por outrém. Neste sentido, a acção de cada um desencadeia exclusivamente um fluxo (de informação, de energia,...) de dentro para fora de si, em vez ser desencadeado esse mesmo fluxo por oposição (e para gerar um equilíbrio) ao pré-existente fluxo de fora (partindo de outros indivíduos) para dentro (do indivíduo em análise).

Concretizemos esta ideia aplicando-a à crise a que (presumo) ninguém está indiferente.

Suponhamos que uma empresa, ou um país, ou qualquer uma pequena parte da sociedade decidia colocar-se numa hipotética redoma onde não fosse permitida a entrada de qualquer informação do exterior (não haveria, portanto, fluxo de fora para dentro), e que cada elemento continuava a desempenhar o seu papel como sempre fez. Suponhamos ainda que quando isso foi decidido todo o mundo vivia em harmonia (entenda-se aqui harmonia como existência de um equilíbrio entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, entre a evolução e a estagnação; seja lá o que signifique cada um desses conceitos para cada um).

Ora, tendo em conta o cenário descrito, esse grupo, uma vez sujeito à protecção auto-imposta, continuaria, indefinidamente a comportar-se como o fazia até então. E cada elemento que antes tivesse o máximo de produtividade, continuaria a tê-lo também indefinidamente.

Bem, certo! O argumento que estou a usar aqui agora pressupõe que é tida infomação do exterior, ainda que de uma época anterior à auto-imposição da protecção. Mas suponhamos que esse grupo é única e exclusivamente composto por elementos cuja informação para desempenharem o seu papel provém somente de dentro de si. Sei que este é um cenário utópico, mas realizável se lhe for adicionado um pouco de pragmatismo. Explico!

Qualquer teoria é descrita no limite do ideal. Assim, não seria diferente para a "teoria de fluxo de sentido único". Para ser praticável, basta pensar que possuímos um filtro e é ele que permite a implementação da teoria de fluxo de sentido único. Pelo filtro só há fluxo em dois sentidos para a energia, ou informação, que não interfere com o nosso estado de Dom. O filtro impede pois o fluxo de fora para dentro de toda a informação ou energia que nos afasta, ainda que milimetricamente, do nosso estado de Dom.

A genialidade, quanto a mim, tem explicação no facto de as pessoas que a possuem terem o seu filtro bastante bem definido e extremamente funcional.

Se cada indivíduo se aproximasse do seu estado de Dom, também, como consequência, a sociedade se aproximaria. Como tudo isto não passam de idealizações, não é possível pernacer indefinidamente nesse estado, então as crises surgem naturalmente. No entanto, ainda que sejam idealizações, para se sair de crises, não será mau começar por pôr em prática a aproximação ao estado de Dom. Durante quanto tempo se consegue fazer isso não interessa para já!


--- Mendonça ---

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Qual o papel das pessoas desagradáveis?


Há duas maneiras de lidarmos com as pessoas desagradáveis: sendo desagradáveis com elas ou concentrar-mo-nos no nosso crescimento. É de supra importância o seu papel na vida de quem já descobriu que pode crescer. Quem está nessa situação consegue ter o discernimento suficiente para ver que tem ali à sua frente uma oportunidade para pôr em prática aquilo que em teoria já sabe que tem de fazer: escolher a luz no ceio do conflito. Bem, fazer é estrondosamente mais difícil. Valerá a pena o esforço? Mas se não optarmos por essa via quais as consequências para a outra que nos resta, a de sermos desagradáveis?

(claro que ainda há mais vias... por exemplo, pode não se ser desagradável pura e simplesmente ignorando a situação, mas isso é demitir-se de vivenciar o que há para vivenciar. Quem faz isso ainda não descobriu que pode crescer... e não cresce, obviamente!)


Ser desagradável, como resposta, não trás nada de diferente do que já se conhece. A pessoa que o é, é-o porque se sente mal por terem sido desagradáveis com ela, mas sendo desagradável não se passa a sentir melhor (ainda que diga que sim, justificando que só o fez porque também lhe fizeram o mesmo).


O melhor é concentrar-mo-nos em fazer a nossa luz brilhar, talvez ela chegue a ser intensa o suficiente para iluminar quem está tão densa que ofusca a própria luz. Aí sim, estamos a fazer algo de diferente do habitual!
Para quem ainda não sabe que pode crescer, as pessoas desagradáveis são só pessoas a evitar. Para as outras, as pessoas desagradáveis são seres que carecem de respeito próprio (e, em consequência, pelo próximo) por não terem luz suficiente para optarem por fazer brilhar a própria luz.



--- Mendonça ---




Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Horizonte






O mar anterior a nós, teus medos

Tinham coral e praias e arvoredos.

Desvendadas a noite e a cerração,

As tormentas passadas e o mistério,

Abria em flor o Longe, e o Sul sidério

'Splendia sobre sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longínqua costa

Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta

Em árvores onde o Longe nada tinha;

Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:

E, no desembarcar, há aves, flores,

Onde era só, de longe a abstracta linha.

O sonho é ver as formas invisíveis

Da distância imprecisa, e, com sensíveis

Movimentos da esp'rança e da vontade,

Buscar na linha fria do horizonte

A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte

Os beijos merecidos da Verdade.


Fernando Pessoa

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Vida e Futuro: um casamento muito sui generis...





A ela pertence tudo. Ele não gosta de ser pressionado. Ela clara na sua intenção, já ele mistérios são o que o caracterizam. Quer um quer outro suscitam muita curiosidade ao seu enteado, ... ou ... filho (!), o ser humano. Trata-se de uma matriarca que tudo põe e dispõe para que seu filhinho cresça, na verdadeira acepção da palavra, e cujo marido, não é mais que um pai ausente. O filhinho sabe que ele existe, mas apenas numa sua idealização. Não é mais que um modelo, algo a alcançar. Em nome desse algo, o filhinho decide não crescer como sua Mãe quer, começa a achar-se dono dos bens da mãe, chega ao cúmulo de lutar contra ela. Claro, já se está a ver qual é o resultado, a perda. O filhinho perde (acha ele) aquilo que nunca foi dele (é tudo da mãe). A mãe por vezes tem de chamá-lo à razão. Hoje, cada vez mais os filhinhos são abanados para acordarem do seu estado de inconsciência.
Vale a pena aprender a usufrir do que a vida nos dá e perceber que por vezes ela tira-nos algo que ainda queriamos continuar a usufruir. Porque será que isso acontece? ( a resposta está no futuro!)
--- Mendonça ---

Sábado, 28 de Março de 2009

Existirão os amigos?



Uns há que acreditam que a realidade que nos circunda não é mais que um reflexo do interior de cada um. Partindo desta premissa, quem é amigo tem amigos, ou melhor, e indo de enconto ao sentido da premissa, se existem amigos em "redor" de alguém esse alguém é certamente amigo.


Mas o que significa objectivamente ser amigo? De imediato podemos reunir algumas ideias que encaixam muito bem na concepção de amizade de muitos. Não obstante, parece-me que a ideia que um tem do que é ser amigo de outrém não é bem a mesma que esse um tem acerca do que significa o outrém ser seu amigo.

Digamos que ser-se amigo de alguém seja respeitá-lo na integra, desde as suas convicções até às suas escolhas. Isto já é bastante, mas ainda podemos sobrecarregar um pouquinho mais as costas das pessoas com a condição de amigo... Podemos considerar que quem nos ajuda é nosso amigo, portanto, ser amigo é também ajudar. Agora, o que é ajudar é outra questão. Nesta concepção, respeitar é uma forma de ajudar, mas ajudar vai mais além. De modo global, ajudar pode ser analisado sob dois pontos de vista: um - objectivo, pragmático, material; outro - subjectivo, inusitado, imaterial.

Socorro-me de um dito popular, para, num sentido metafórico, melhor chegar onde pretendo. Aqui aplica-se o ditado: se alguém te pedir um peixe ensina-o a pescar. Há as pessoas que dão o peixe para não terem concorrência na pesca, mas outras há que dão o peixe por não entenderem que seria melhor ensinarem a pescar e há ainda as que ensinam a pescar.

Bem, olhando sob o ponto de vista objectivo, pragmático, material, é tanto amigo aquele que "ensina a pescar" como aquele que dá o peixe sem se dar conta de que seria possivelmente mais benéfico "ensinar a pescar". Em ambas as posturas há uma intenção pelo bem, e nesse sentido ambas se aproximam do papel de amigo.

Olhando sob o outro ponto de vista, subjectivo, inusitado, imaterial, de todos os tipos de postura é possível fazer uma leitura de amizade! Aqui emerge uma concepção mais abrangente de amizade: é amigo aquele que coloca a sua essência na acção que pratica em relação ao outro. Sim, é verdade, o conceito de amizade é bastante subjectivo! (Não menos verdade, todos os conceitos estão imersos num banho de subjectividade. Contudo, o ser humano continua a insistir que a objectividade tem um papel de relevância bastante acima do da subjectividade.)

Se por um lado, ajudar implica colocarmos a nossa essência na acção, por outro, respeitar implica não cobrar do outro a colocação de essência nas suas acções, não cobrar do outro, portanto, amizade. Assim, a amizade apenas pode existir de nós para o outro: de dentro para fora, não o contrário. Logo, ninguém tem amigos, mas eles existem! Ninguém os tem porque ninguém tem nada, mas os amigos existem desde que cada um consiga SER, consiga aproximar-se de si, da sua essência, da sua Alma.

Ajudar, no sentido de se SER, implica mostrar caminhos, iluminar, provocar a evolução, mas respeitar leva a que permitamos a escolha do caminho, a decisão de quando iniciar a evolução ou até a opção de permancer na escuridão, a aceitação dos tempos de cada um, das suas limitações (como humanos, imperfeitos, que todos somos), dos seus anseios, das suas dúvidas, das suas discordâncias.

A amizade existe, portanto, na esfera do SER, não na esfera do TER!


--- Mendonça ---